JOSÉ CERDEIRA

José Cerdeira é um homem de uma singularidade invulgar. Nascido em 1933 em Casalinho de Baixo, Góis, foi desenvolvendo ao longo da sua vida uma multiplicidade de actividades surpreendente, como as de moleiro (seguindo as pisadas do pai), barbeiro, sapateiro, pedreiro, lagareiro, músico, agricultor e, aquilo que aqui nos interessa particularmente, a de artesão.
Uma visita à sua casa é uma viagem no tempo, pelos objectos utilitários tradicionais rurais "do tempo dos nossos avós" que conserva, em especial os pendurados no tecto de uma garagem que mantém como um museu, explicando a quem lá passa qual o uso de cada um deles. Ao lado, a oficina revela as suas criações artesanais, ao longo de três décadas: um universo fantástico repleto de miniaturas de moinhos, noras, arados, picotas, dobadoiras, carros de bois, casas de xisto, animais, árvores, flores, terços gigantes e bonecos loucos. São, porém, as máscaras que começou a construir há 20 anos que aqui se destacam. Feitas maioritariamente de cortiça, mas também de chapa e de plástico, tornaram-se protagonistas entre os novos mascarados, contribuindo fortemente para a reinvenção da tradição do Entrudo de Góis.
São estes adereços de cortiça em forma de caretas desdentadas, adornadas com bigodes e sobrancelhas de lã de ovelha e por vezes com cornos de chibo ou carneiro, que são hoje a imagem do Carnaval das Aldeias do Xisto da Serra da Lousã, ao ponto de merecerem representação no CIMI (Centro Interpretativo da Máscara Ibérica), pela sua originalidade no contexto das máscaras portuguesas.