Sobre

ARTE POPULAR DE ANA A ZÉ

O que é a arte popular portuguesa e como é que ela se manifesta nos dias de hoje? Num tempo marcado pela globalização e pela primazia da vida urbana, valerá ainda a pena falar de arte popular? O projeto Arte Popular de Ana a Zé surgiu a partir destas interrogações fundamentais, e pretende, se não responder a estas questões, pelo menos contribuir decisivamente para a reflexão e o conhecimento desta forma de arte no mundo contemporâneo. Assim, este projeto dedica-se à pesquisa, à documentação e à divulgação das artes populares portuguesas, procurando resgatá-las da marginalidade ao conceder-lhes o lugar de destaque que lhes é devido no panorama da produção artística nacional. O projeto divide-se em duas partes: uma dedicada a entrevistas com diversos agentes envolvidos no universo da arte popular portuguesa, nomeadamente artistas, colecionadores e investigadores; e outra destinada à construção de um repositório de artistas populares, através das suas biografias. Ambas as partes envolvem a realização de um registo visual, capaz de permitir o acesso ao curioso universo destes artistas singulares.

 

SOBRE O CONCEITO DE ARTE POPULAR

Reconhecendo de antemão a dificuldade de avançarmos uma definição categórica do conceito de arte popular, defendemos, contudo, que ele assenta em dois pressupostos fundamentais: em primeiro lugar, na ligação dos objetos produzidos a um contexto cultural particular, seja pelo uso de um conjunto de técnicas e materiais ancorados numa determinada região, seja pela representação de motivos associados a imaginários locais ou regionais. Em segundo lugar, na necessidade de uma autoria, ou seja, na existência de uma obra com características originais. Se o primeiro pressuposto separa a arte popular da arte contemporânea, dado que na última as técnicas e temáticas não conhecem uma delimitação geográfica regional, o segundo distingue a arte popular do artesanato, já que este é marcado, pelo menos na maioria dos casos, pela ausência de uma autoria. Tal não significa que não haja dúvidas constantes sobre a caracterização de certos artistas como populares, bem como à sua inclusão neste projeto. A este respeito, assumimos mais uma vez a porosidade do conceito de arte popular, referindo que preferimos nesses casos pecar por excesso do que por defeito. Ao mesmo tempo, convidamos os leitores do projeto a realizar o mesmo exercício, refletindo connosco sobre os próprios fundamentos da arte popular.

 

AGRADECIMENTOS

Gostaríamos de deixar um agradecimento especial a todos os que se disponibilizaram para responder às nossas perguntas e que permitiram fotografar os seus espaços quotidianos, já que é por eles e com eles que este projeto vai sendo construído. Quanto a nós, não podemos deixar de mencionar o entusiasmo e o prazer com que descobrimos estes artistas quase desconhecidos, ouvindo e registando as suas extraordinárias histórias de vida. Esperamos desta forma que este projeto permita o acesso ao universo culturalmente rico, criativo e singular onde habita a arte popular portuguesa.

ENTREVISTAS Maria Manuela Restivo (antropóloga) e Luciano Moreira (investigador em Media Digitais)

FOTOGRAFIA e WEBSITE Joana Soares e Nuno Marques

PRODUÇÃO

           

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